A relação entre desapego e pão francês

Desapego-pao-frances

Já sabemos o quão difícil é o desapego.

Sabemos o que é, sabemos como fazer… Apenas não fazemos.

E entre “saber fazer” e “fazer de fato” há um gigante abismo.

Porém, em uma sessão de mentoria na última semana minha percepção sobre o desapego mudou drasticamente.

Descobri que se transformarmos nossos problemas em um pão francês, tudo fica muito mais simples de entender.

Para explicar de forma mais clara, vou voltar um pouco na história para (tentar) melhorar o entendimento.

Todo o sofrimento que temos na vida provém do apego (que pode ser desejo ou aversão) que temos pelas coisas. Para nos livrarmos do sofrimento, portanto, temos que nos livrar do apego – desapegar. Assim, poderemos encontrar a verdadeira felicidade.

Só que nem tudo é fácil desse jeito.

Quem está apegado muitas vezes nem sabe que está apegado. É como ter nascido e crescido no mesmo lugar e não conhecer nada além das fronteiras conhecidas. Continuar pensando da mesma forma é estar numa fronteira conhecida, é estar numa zona de conforto. E como sair dessa zona?

Basta escolher ver diferente.

A situação vai continuar a mesma. As pessoas envolvidas irão continuar as mesmas. Tudo vai continuar igual.

Menos você.

Porque você escolheu ver a mesma coisa de outro ângulo. Você escolheu mudar sua perspectiva.

E quando você sai dessa zona, um novo horizonte se abre. As coisas que antes impediam você de seguir em frente com fluidez (porque você estava apegado, lembra?) agora só atrapalham.

E é nesse momento que a limpeza começa. Aí que o processo de desapego se inicia. Chega a hora de limpar o que atrapalha e é aí que entra a metáfora: transformar nossos problemas em um pão francês.

Imagine que todas as coisas que te atrapalham na vida tomaram a forma de um pão francês. O pão já está velho. Mas é difícil jogar um pão inteiro fora, não é mesmo? Afinal, ainda é um alimento.

Você talvez possa pensar “Será que não posso comer esse pão? Usar pra fazer um sanduiche? Será que posso fazer torradas com ele?”. Ficamos imaginando um novo uso para aquele pão.

Analogamente na vida, é comum perguntarmos coisas como “Será que posso me desapegar desse problema agora? E essa pessoa, será que devo tentar mais uma vez com ela? E sobre essa ansiedade, estou pronta para me livrar dela?”

Percebe a força do apego?

Agora imagine que você começa a esfarelar o pão. Ele vai virar migalhas. Inúmeras migalhas menores. E é muito mais fácil de jogar migalhas fora, não é mesmo? Você não fica com preocupações do tipo “Nossa, tenho que remontar essas migalhas para virar um pão novamente”.

Migalha não é pão, é parte dele. Você não é o problema, o problema não é você. O problema é parte de você, e existe a possibilidade de transformá-lo em migalha para simplificar sua resolução. É mais fácil resolver uma migalha do que um pão inteiro.

E como transformar um pão em migalhas?

Esfarele! Transforme seu problemão em problemas menores. E vá esfarelando, esfarelando, até que as migalhas tornem-se tão pequenas, tão pequenas… Que elas não significarão mais nada.

É infinitamente mais fácil desapegar-se de “nada”, do que de um pão inteiro. :)

Algumas das formas práticas de reduzir seus problemas a quase nada é perguntar a você mesmo:

  • O que tem por trás disso?
  • O que acontece depois? E depois? E depois?…
  • Se eu mudar algo diferente vai acontecer. E daí? Outra coisa diferente vai acontecer. E daí?…

Vai chegar uma hora que a resposta a essas perguntas naturalmente perderá significância ou importância. Você questionará, por sua própria experiência, se é interessante continuar investindo tanta energia em uma migalha tão pequenina.

Acredite: pode até não ser fácil, mas pode ser simples.

Lembre-se do processo das migalhas e você poderá ter mais facilidade para lidar com desapegos.

Mas antes de tomar esse ensinamento (ou qualquer outro na vida) veja se faz sentido em seu contexto.  Experimente, Teste, Tente, Viva! Ficarei feliz em ouvir suas experiências.

Paz e Luz,

Pam

 

Publicado em: blog

8 comentários sobre “A relação entre desapego e pão francês

  1. Icaro Moro disse:

    Sempre gostei de Monteiro Lombato pela forma lúdica com a qual abordava assuntos de tamanha seriedade.
    Da mesma forma, quando conheci Pamella, me encantei com a forma doce e suave com a qual abordava assuntos os que parecem insolúveis em nossa mente. E é incrível como após ouvir um punhado de palavras que ela diz, os mais profundos problemas, que antes eram importunios, viram simples pueira cujo um sopro se torna capas de resolver.

    Esse texto é uma síntese magnífica de como a vida é simples, mas nos a complicamos.

    Essas palavras foram simplesmente esclarecedoras.

    Pam, grato pelas palavras doces e por iluminar meus pensamentos.

    Ah, e parabéns pelo texto.

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